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Lembrai, lembrai o 5 de novembro…

V de Vingança é uma história de Alan Moore em formato de HQ. Temos uma Londres que pro seu primeiro lançamento estava no futuro (1997) e ela se rendeu ao fascismo. As pessoas tem horários de recolher e o controle está todo com a Mão, o Olho e a Boca (seriam os três poderes).

Lembrai, lembrai o 5 de novembro. A pólvora, a traição e o ardil. Por isso, não vejo como esquecer traição de pólvora tão vil.

Londres teria caído nesse fascimo pós uma guerra biológica, onde o próprio governo esteve envolvido (mas esse tipo de coisa não tem só na ficção). Milhares morreram tanto pela doença criada nos laboratórios dos campos de concentração, quanto na mão dos Poderes.

V é um sobrevivente de um desses Campos de concentração e ele se sentindo traído pela justiça (na HQ tem todo um monólogo dele falando sobre isso #intenso) decide criar um grande plano de Vingança.

V De Vingança fala muito de anarquia, mas também fala sobre a liberdade individual que cada um deveria ter. A ideia de V é reconquistar para o povo essa liberdade que ele conseguiu para si – foi por meio do ódio, mas fazer o que rsrs. Também temos a Evey, que passa por poucas e boas quando é salva por V.

Por baixo dessa máscara existe mais que carne. Por baixo dessa máscara, existe uma ideia e ideias são à prova de balas.

V de Vingança também tem um filme de 2005 que se tornou meu favorito por algumas ligações com o Michael Jackson (que também gostava do filme), só nesse 5 de Novembro de 2019 que eu finalmente consegui ler a HQ usada para a adaptação e é basicamente disso que eu vim falar aqui hoje.

Eu nem creio que vou dizer uma coisa dessas, mas eu prefiro a adaptação do cinema, Alan Moore detesta o filme e eu até entendo o lado dele, mas se o filme não tivesse ficado “Hollywoodiano” seria dificílimo ele sequer existir. Uma das críticas é a ambientação do filme que deixa tudo muito “limpo”, já que na HQ, Londres está puro caos e destruição enquanto no filme não dá muito essa visão. E na HQ o único poder que existe é o Dedo, que tem um Reich como líder.

Verdade seja dita, se você procura um culpado, basta olhar em um espelho.

Uma mudança que eu achei necessária e – ainda bem que existeé a idade de Evey e a sua “profissão”. Na HQ, Evey é uma adolescente nos seus 16 anos que é apresentada ao leitor como uma garota completamente perdida – e órfã – que pra ganhar dinheiro parte pra prostituição. Ela não chega a realmente fazer nada porque precisa ser salva pelo V das mãos dos poderosos que não fariam nada de bom com ela.

É inútil pedir desculpas?
Jamais.

Já no filme, Evey é interpretada por Natalie Portman, que trabalha em uma agência de TV – ela continua sendo órfã, já que seus pais foram vítimas da guerra que eu citei – o que ajuda muito no plot principal que é a grande mensagem de V na frente das cortinas vermelhas pelas redes de comunicação de Londres. E ela é maior de idade. Também tem o fato de que Evey – por ser mais madura no filme – também faz escolhas que na minha opinião fazem mais sentido ao que leva a sua transformação.

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Com certeza a organização é bem ruim. Na verdade, não vamos medir palavras, a organização é terrível.
Conhecimento é como oxigênio, vital para a vida. Ninguém deveria ser negado a obtê-lo.

Na HQ, mesmo depois do baque que Evey sofre, ela ainda permanece muito boba – e até chata rs – e algo que me incomodou um pouco são as relações que ela mantém com homens muito mais velhos na história. E até com V em determinado momento fica meio estranho, acho que o filme conseguiu deixar isso mais adequado.

E parecia santo, quando na verdade era o diabo.

O tom da HQ é muito mais violento e pesado e o ritmo da história é bem mais lento, o que é aceitável já que se tratam de entretenimentos diferentes. O filme nunca conseguiria entregar todo o enredo em 2h e seria difícil trazer o tom complexo de uma forma aceitável para o cinema.

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Mas eu acho que o trabalho do filme de passar a mensagem da HQ foi muito bem feito. Eu sou suspeita pra falar, claro, mas eu o prefiro. A única coisa que eu achei melhor na HQ foi o final, a finalização de ambos é diferente e a da HQ dá uma sensação de continuidade enquanto o do filme é redenção (sabe o negócio Hollywoodiano? Então hahaha). Eu gosto dos dois, mas a da HQ me conquistou e até me fez gostar mais da Evey da hq.

Veja, primeiramente eu achei que era ódio também. Ódio era tudo o que eu conhecia, construiu o meu mundo, me aprisionou, me ensinou como comer, beber e respirar. Eu pensei que morreria com ódio em minhas veias. Mas algo me aconteceu. Aconteceu comigo assim como aconteceu com você. #redenção

A cena épica dos dominós no filme é sem comparação; mas a cena da morte do padre pedófilo na HQ é tudo pra mim. A crítica a religiosidade hipócrita – usada para controle da população – nessa história é um pitelzinho viu. V entende que a liberdade é direito de todos, mas também deixa claro o senso de responsabilidade do povo na perda de suas vozes contra as “autoridades”. Eu amo isso.

Basicamente é isto: os dois são bons, mas o filme é mais suave e apresenta a ideia de revolução está disponível a todos. A HQ é densa e intensa, se aprofundando no conceito de que sempre vai ter um ou alguns que vão passar por um processo bem mais doloroso e cheio de ódio, rebeldia pra que outros usufruam disso de uma forma mais branda. A ideia de legado e justiça.

Somos frequentemente culpados por isso, e é provado. #responsabilidade

Você já assistiu ou leu V de Vingança?

9 Comentários

  • Vanessa Vieira

    Olá! Eu confesso que em alguns momentos prefiro os filmes aos livros, mas é muito relativo.

    Conforme o que você falou o filme parece ser mais organizado, mais fluido. Isso é bom por um lado. Mas a obra em si também tem suas nuances…

    O melhor mesmo é fazer como você cair de cara noadois e ver no que dá.

    Acho quedeu muito certo, porque sua resenha ficou bem completa. Explicadinha. Me fez até ter vontade de saber mais sobre esta obra. E olha que tenho fugido dela. Hehe

  • Pensamento Literário

    Oi!!

    Tudo bom?

    Assim como você já assisti o filme e amei, principalmente pq sou extremamente política. Não conhecia a HQ e achei muito interessante a história por trás de tudo, aliás a violência é apenas um adendo, visto que a HQ permite aprofundar essa temática. Em relação a idade da Evey entendi a adaptação para o cinema ter alterado a idade, ao ver todo o contexto você percebe esse pressuposto. Obrigada pela dica. Abraços!

  • Carol Nery

    Eu achei seu post fantástico! Dia 05 do 11 eu realmente lembrei NA HORA que estou com essa HQ iniciada e não terminada. Eu passei por alguns problemas na minha vida pessoal e tudo aqui anda desmoronando, feito a Londres referida. Eu olho com tristeza pra HQ que não consegui terminar.
    E infelizmente não vi o filme também, ainda. Quero tentar resolver isso.
    Beijo grade, e que post inspirador!

    http://www.coisasdemineira.com

  • Bianca Ribeiro

    eu nunca vi ou li V de Vingança, mas a minha esposa é uma fanatica por isso, tanto que no dia 5 ela me acordou com uma mascara igual a sua e falou um baita monologo (desconhecido a mim), mas foi muito engraçado!

    Adorei a forma como você falou da HQ e do filme, fiquei morrendo de vontade de assistir, de verdade mesmo! Vou até procurar essa HQ e esse filme por aqui porque eu preciso entender isso tudo! Ahazou no post, como sempre!

    • Ana Gabriela

      Hahaha se tinha muitas palavras com V era o monólogo dele se apresentando a Evey, se era mais curto, deve ter sido o do lembrai, lembrai kkkkkkk se eu acordasse minha mãe com essa máscara ela tinha um ataque cardíaco.

  • Marijleite

    Olá, amei seu post! Eu ainda não li a HQ nem assisti o filme, mas acho a premissa bem interessante. Gostei de conhecer um pouco da historia pelo seu post e de saber de algumas diferenças entre a história escrita e ilustrada e a adaptação cinematográfica.

  • Paac Rodrigues

    sempre vejo as pessoas comentando do filme, comentando sobre o impacto dele mas eu mesma nunca assisti, nem sei dizer porque nã vi ainda se tenho vontade sabe, em relação a HQ quero ler justamente pela vontade de conhecer a história mesmo e ter esse impacto e eu amo hqs então daria super certo pra mim.

  • PS Amo Leitura

    Assisti apenas ao filme e gostei bastante da obra. Até agora eu não sabia da HQ e fiquei feliz em ler um pouquinho mais a sua opinião. Pela forma como você relatou, o livro realmente parece mais pesado em alguns aspectos. Ainda fico apenas com o filme hahaha

    Beijos,

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