The 1 | (Re)Contar – #folklore


Alguns meses tinham se passado desde a última vez que eu o vi. Da última vez que tínhamos nos falado.

Dessa vez eu tinha certeza que era ele, já que minha mente brincou comigo uma ou duas vezes vendo seu rosto em estranhos. Devo confessar, eu não estava bem, agora eu estou. Mudei coisas em mim e ao meu redor. Não sabia falar sim com frequência, hoje eu falo. Não ia ao cinema sozinha, hoje eu vou. E acredito que os melhores filmes do mundo nunca vão ser feitos.

Uma série de lembranças boas invadiram minha memória ao te ver, os sinais estavam lá, então porque as coisas não aconteceram? Acho que eu nunca vou saber. Ninguém tentou o suficiente? Não era pra ser? Se você me queria, deveria ter mostrado. Se eu te queria, deveria ter mostrado. Resisto à tentação interna de ir até você e perguntar se algo poderia ter sido diferente naquele tempo, e se isso faria diferença hoje. Será que doeria?

E de todas as histórias, essa é a mais difícil de lembrar porque nunca conseguiu acontecer. Funcionaria, eu acredito nisso, daria certo. Não tenho como defender meu lado, então aqui está assumida a minha culpa, eu sei que seríamos bons juntos. Teria sido divertido se tivesse sido você.

Quando eu olho pra você, dói um pouquinho, não porque são lembranças ruins, não por algo que deu errado. É justamente por ter quase dado certo. O quase sempre é nada.A sensação de uma grande história de amor ter terminado sem nem começar.

E mais uma vez eu digo, não tenho como me defender, poderia ter virado o rosto, fugido dos lugares onde você estaria. Assim a dor não apareceria. Mas fui eu que reabri essa cova porque teria sido doce e feliz se pudesse ser eu. Eu reabri porque gosto de imaginar como seria, o futuro que nunca vai acontecer.

Como eu falei, os melhores filmes do mundo nunca vão ser feitos. Nem as maiores histórias de amor vão acontecer.

Se os meus desejos se realizassem, seria você.

Ana Gabriela

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