Resenha | Solo Raso – Sandro Muniz

Solo Raso vai contar a história de uma ilha esquecida por todos e no tempo, só quem se lembra dela e se importa com ela são seus poucos moradores que ainda permaneceram, apesar de todas as coisas estranhas que lá acontecem. Mulheres desaparecem, ossos são encontrados, explosões repentinas e sem explicação na floresta, tremores…

Aqui acontecem coisas estranhas. Na verdade, é tão comum para eles, e para nós que viemos de longe… você é de Sampa né? Bom, me disseram. Para quem é de cidade grande, é inusual, para os moradores daqui é banal. Ouça o sino.

A ilha só recebe novos visitantes quando uma equipe, que inclui nosso protagonista Pedro, que vai até lá por motivos de trabalho. Ele e Eugênia fazem escavações e são enviados a certos locais, onde obras desejam ser feitas e com essa verificação sai a permissão de obra ou o lugar se torna tombado, então nada pode ser realizado.

Existem interesses por parte da empresa que Pedro trabalha para que a obra seja autorizada, mas ele logo vai perceber que aquele lugar vai além do que o olho pode ver. Pedro encontra um item histórico remetendo a segunda guerra mundial e ninguém entende como uma peça dessas foi parar no Brasil. Mas pessoas na ilha conhecem a história que inclui tortura e nazistas e o Brasil como peça chave de tudo isso.

Às vezes, um único ser humano faz um mal enorme para muita gente, destrói suas vidas. Minha memória é boa.

Solo Raso é um livro de narrativa em terceira pessoa bem fluída. Os capítulos são super curtinhos, o que ajuda nessa rapidez de leitura. Talvez o que dificulte um pouco seja a quantidade de nomes e características citados em alguns deles. Tem que prestar bastante atenção pra não se perder de vez em quando.

Pedro é um personagem interessante, mas eu gostaria de ter sabido mais sobre ele. Apesar de ser nosso protagonista, não existe muito aprofundamento além de sabermos que ele tem uma família, mas que não faz muita questão de contatar enquanto está numa viagem longa a trabalho.

Há certos momentos em nossas vidas nos quais já não é mais possível voltar atrás. O relógio só vai para frente.

Os outros personagens citados na história com certeza fazem diferença, todos eles vão ter uma função na história – por isso é bom prestar atenção em todos os nomes e detalhes – ninguém está no livro ou na ilha por acaso. Apesar de serem todos importantes para a narrativa, não fui cativada por nenhum especificamente.

O contexto histórico por trás do enredo tem mais foco do meio pro final e com certeza é a parte mais interessante da leitura. Quando as coisas começam a fazer mais sentido, as peças se juntam ao invés de serem peças de legos aqui e ali. É bem legal ver esse quebra-cabeça sendo montado. O final é um pouco corrido, mas satisfatório, não senti que existem grandes reviravoltas e tem um gancho pra caso uma continuação venha.

O homem caridoso que se orgulha da própria caridade é como o homem condenado que se orgulha de ter uma cela enorme

Solo Raso é uma leitura interessante e direta na medida do possível. Colocar o Brasil na Segunda Guerra Mundial foi um elemento bem curioso pra história. A ilha é um ambiente bem diferente e o leitor sai sabendo bastante sobre ela. Apesar de ser um lugar fictício, se jogassem você lá, provavelmente saberia se virar. Só não sei se indico a visita hahaha.

O livro está no Kindle Unlimited e disponível para compra do ebook e do físico no Instagram do autor.

Essa resenha é uma parceria paga com o autor, mas todas as opiniões aqui são sinceras.

Ana Gabriela

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