fala sobre livros,  Setembro Amarelo

Resenha | Sadie – Courtney Summers

Vi esse livro diversas vezes pelo twitter, e nunca tinha me dado ao trabalho de ler logo. Mas aí, o título me fez ter a sensação de tristeza (Sad = tristeza), então eu fui trás pra saber se a história era de alguma forma triste.

Era uma coisa horrível, claro, mas vivemos em um mundo onde não faltam coisas horríveis.

E eu não esperava esse baque.

Sadie vai trazer a história de duas irmãs, Sadie é a mais velha, ela é antissocial, depressiva e gaga e Mattie é a mais nova, elas vivem de forma extremamente precária. Sua mãe Claire é viciada e traz inúmeros caras pra dentro de casa e infelizmente, parece amar apenas Mattie. Quem tenta cuidar de Sadie é a vizinha de trailer May Beth, mas pra Sadie a única pessoa importante é Mattie, e sua missão é cuidar dela.

Isso até Claire ir embora no meio da noite e deixar Mattie completamente destroçada. Sadie tenta o possível e impossível para ajudar a irmã, mas a separação entre elas é palpável. Sadie deixa de cuidar de si para cuidar de Marrie, então imagina o quanto isso a machuca?

Isso é uma verdadeira tragédia, falando sério. É uma tristeza quando as pessoas não percebem o próprio valor.

E aí Mattie desaparece.
E depois reaparece morta, em um incêndio criminoso.

E Sadie fica destruída porque o seu propósito não existe mais. E ela só fica com a sensação de dor e vingança.

E nisso, Sadie também desaparece.

Sadie é um livro pesado. E tem gatilhos pra abandono, luto e principalmente abuso. Um Young Adult trazer o abuso sexual infantil da forma que foi retratado em Sadie é uma mensagem extremamente importante.  Eu sinceramente não sei o que escrever nessa resenha porque o livro não foi digerido ainda.

Mas a tentativa desesperada dela de controlar me diz que a dor que estou testemunhando mal arranha a superfície. Não sei como ela sobrevive, sinceramente. Ela também parece não saber.

A história é contada em dois pontos de vista. O de Sadie, na primeira pessoa e o de West, um reporter/criador de conteúdo que aparentemente tem um podcast de true crime. A narrativa de Sadie parece ser no presente, mas na verdade já é no passado, já que tem uns bons meses que ela está desaparecida quando West decide ir atrás da história das duas. E West narra o presente. Achei isso muito muito inteligente, porque eu sempre gostei de conteúdo true crime e eu acho que o objetivo do autor era dar um tom de realidade pra ficção. Porque apesar de ser um livro fictício, as situações que acontecem com As Garotas (nome do podcast) são tristemente, uma realidade dura do nosso mundo.

Paisagens ranzinzas e garotinhas tristes que se parecem um pouco demais com ela. É horrível quando a dor é óbvia assim. Tenho certeza de que a mãe dela pendura os desenhos na geladeira, orgulhosa, e olha sem ver de verdade.

Quando cheguei nos 70% fiquei assustada da finalização do livro ser corrida, mas aí eu percebi que não, não era isso, é porque não deixam o climax da história só pro final, ele tá presente o tempo inteiro. Você, como leitor, acaba esperando algo diferente, porque assim como na vida real queremos um final idealizado e feliz. Não é o que temos em Sadie, muitos pontos são sim fechados e ainda bem por isso, mas o arco mais importante – no meu ponto de vista – não é fechado e eu não achei isso ruim. Achei coerente, achei cru e real.

Mas o amor é complicado, é enrolado. Pode inspirar altruísmo, egoísmo, nossas maiores realizações e nossos erros mais difíceis. Nos une e pode nos separar com a mesma facilidade. Pode nos motivar.

Não chorei lendo Sadie, mas eu sofri. Senti empatia pela jornada que ela faz, senti raiva junto com ela e senti dor. Uma história importante, contada de um jeito sensível e que pode abrir debates entre o público alvo que pode salvar vidas.

7 Comentários

  • Bianca Ribeiro

    minha nossa!
    Eu também vi esse livro pelo twitter e jurava que era uma coisa mais melancólica, assim como você, jamais imaginaria que seria algo assim
    agora eu tô muito curiosa, parece ser um livro de respeito, adorei sua resenha e fiquei aflita agora pra saber o final, NOSSA!
    Ah, eu vi o audiobook dele esses dias, quem sabe eu ouça!

  • Silviane Casemiro

    Olá!

    Eu ainda não conhecia esse livro e realmente o nome já me da essa referencia de tristeza. Mas enfim, vamos lá:

    Livros com gatilhos são bem complicados. Eu não me sinto tão abalada com essas leituras, mas aquela empatia dentro de mim aumenta tanto que eu fico imaginando demais pessoas que passam por coisas que os persomagens passam. Seria assim com esse livro, tenho certeza. E provavelmente eu o amaria tanto, mas tanto. Vou sim procura-lo para ler em algum momento, mas agora sei que estou na fase de outras leituras .

    Silviane Casemiro
    Blogueiras Cansadas • @Blogueiras.Cansadas

  • Erika Monteiro

    Oi, tudo bem? Pelo início do post dá para perceber o quanto a história será intensa. Imagina perder o sentido da vida, não saber onde está sua família e ainda sofrer tantas coisas assim. Deve ser muito difícil. Imagino também a quantidade de gatilhos que encontramos durante a leitura. No ano passado tive experiência com um livro semelhante e fiquei vários dias pensando como escreveria sobre ele. É bem difícil mesmo. Um abraço, Érika =^.^=

  • Yvens

    Olá, tudo certo?

    Eu confesso que não conhecia o livro e a autora Courtney Summers, mas achei bem legal a resenha e gostei da premissa. Parece ser uma leitura tocante e emocionante. Vou pesquisar mais sobre o livro e talvez eu leia no kindle.
    Abraço!

  • Debyh

    Olá,
    Ah parece ser tudo tão triste e sofrido. E não vou negar eu gosto de ler um drama, claro que às vezes são tão pesados e tensos que me fazem mal, mas sempre acabo voltando pra ler um livro deste estilo. Com certeza eu sentiria raiva…

  • Nina Spim

    Oi, Ana, tudo bem? Nossa, que saudade de ler algo seu! Sobre o livro: gostei muito, acho que gostei mais dessa coisa totalmente real e indissociável dele. Apesar de tratar de assuntos pesados, acho que eu conseguiria lê-lo. Deve ser uma leitura bem sofrida mesmo, rejeição por si só, já é difícil, mas aí vem todo esse combo louco… que triste. Mas acho que é muito necessário abordar esses tópicos na literatura, porque ela nos serve como um espelho da realidade. Pode ajudar outras pessoas nas mesmas situações, por exemplo. Gostei muito da sua resenha e obrigada pela dica!

    Love, Nina.
    http://www.ninaeuma.blogspot.com

  • PS Amo Leitura

    Nossa, que resenha intensa! Ainda não tive oportunidade de ler esse livro, mas confesso que fiquei com o coração apertadinho só de ler a sua opinião. Saber que o livro aborda tantos assuntos como abandono e tudo mais, é realmente de partir o coração. Vou colocá-lo na minha wishlist.

    Beijos,

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *