Resenha | Psicopata Americano – Bret Easton Ellis

Cansativo.

É o adjetivo que tenho pra Psicopata Americano.

“Patrick não é um cínico, Timothy. Ele é o vizinho, não é, querido?

“Não, não sou”, sussuro para mim mesmo. “Sou um psicopata malvado do car*lho.”

página 31

Eu entendo que a ideia é mostrar a cabeça de um psicopata narcisista, mas aqui exageraram em dois pontos específicos: o Patrick (nosso personagem principal) fala muito das roupas de todo mundo. Isso, em teoria, é justificado por ele ser muito capitalista e usar o valor das roupas pra determinar se a pessoa é boa ou não. Mas, nossa, tem capítulo que só tinha isso.

Eu basicamente gosto de assassinatos e execuções.

Ele também fala muito dos corpos de todo mundo porque ele é extremamente superficial. E claro, ele quer sempre mostrar como é melhor – do que os homens por ter um corpo melhor e do que as mulheres porque leva elas pra cama.

Patrick tá na casa dos 20, mais perto de 30 do que de 20 e trabalha na Wall Street – ou seja, podre de rico e foca no podre nissomas a gente não vê nada dele no trabalho, só o que ele faz fora de lá. Suas inúmeras refeições em restaurantes caros, sociais na casa de algum amigo rico, idas e idas na academia, uso de drogas, boates, sexo casual. O livro é isso.

“Você sabia que eu sou completamente insano?” Não, você só é um riquinho branco hetéro privilegiado que decide matar porque sabe que não vai ser pego pelos adjetivos citados acima e usa insanidade pra fingir inconsciência <3

Lá pela metade do livro, ele cede a tentação de machucar e matar. E ele não abre exceção pra absolutamente ninguém. Porque ele representa a desumanização de um assassino em série, ao contrário de vários outros meios de entretenimento que inclui serial killer. E como vocês puderam ver, fizeram a parte de ODIAR o personagem muito bem. As cenas de assassinato são tão frias que elas chegam tão rápido quanto vão embora, como se fossem um surto mental do Patrick. Mas elas serem surtos, obviamente, não as faz menos detalhadas do que as cenas onde ele descreve peça por peça do que usa. E claro, não faz os assassinatos dele serem mentirosos ou inculpáveis.

Mais uma justificativa dada a repetição do livro é que isso também auxilia no processo de desumanização, tanto do Patrick quanto do outro na cabeça do Patrick, considerando que ele é o narrador. Ele mede as pessoas pelo que come, usa, pega, mexe. Sua relação não é pessoal, mas de forma a objetificar o outro – caso você precise desse aviso: o livro no todo é extremamente machista, homofóbico e racista, não que eu não esperasse isso. Mas mesmo, assim, acho que existem meios mais eficientes pra desumanizar um serial killer do que páginas e páginas falando sobre o relógio e a meia de alguém.

Acredito que eu fui com muita sede ao pote e me decepcionei. O andamento do livro é chato, e quando cheguei no ponto que o tornaria interessante, eu já tava exausta. Só queria acabar. Já vi outras histórias narradas do ponto de vista de narcisistas ou psicopatas que me prenderam mais. Que me fizeram ter interesse na narrativa dele. Não foi o caso aqui.

Patrick Baterman representa os Donald Trump’s que estão por aí e não matam – diretamente – ninguém. Brancos, privilegiados e ricos, que não se importam com absolutamente nada além de realizar seus desejos mais infames que na maioria das vezes, são às custas dos outros.

“Se você não calar a boca, eu vou te matar.”

Ana Gabriela

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