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Resenha | O Ódio que Você Semeia

The Hate U Give Little Infants Fucks Everybody – Tupac

 O ódio que você semeia traz a história de Starr, ela vive em dois mundos diferentes porque estuda em um colégio particular – cheio de brancos e ricos – e mora em Garden Heights, um bairro pobre. Ela é uma garota normal, com amigas, discussões fraternais e com pais bem engraçados. Mas um dia, isso tudo é revirado. Pois ela vê seu amigo Khalil ser assassinado por um policial Um-quinze. Starr é a única testemunha. Ela fica com o trauma de ver Khalil morrer na sua frente, sendo que eles fizeram tudo certo. Mãos a mostra, sem movimentos bruscos. O conflito entre a tristeza e a raiva da injustiça.

Eu sempre disse que, se viesse acontecer com alguém, minha voz seria a mais alta e garantiria que o mundo soubesse o que aconteceu. Agora, sou essa pessoa, e estou morrendo de medo de falar.

P. 36
Eu não devia ter vindo pra cá. Nem sei se é meu lugar. Tem uns lugares onde não basta ser eu.

Às vezes, você pode fazer tudo certo, e mesmo assim as coisas dão errado. O importante é nunca parar de fazer o certo.

Página 134

Nisso, as manchetes de jornais tendem a proteger o policial branco e a justificar a morte de Khalil, ao invés de simplesmente perceberem que ele MORREU. E isso causa um mal estar muito grande em Starr. Ela precisa ver o amigo sendo chamado de traficante, bandido. O julgamento do policial ainda não ocorreu, mas o de Khalil está correndo a toda. Nisso

É por isso que as pessoas estão se manifestando. Porque não vai mudar se a gente não disser nada.

– p. 148

Protestos começam no seu bairro, não importa quem Khalil era. O que importa é que ele morreu de graça e estava desarmado.  É isso que Starr vai lutar pra provar.     

O ódio que você semeia é um chute no estômago de qualquer um. Um livro com uma mensagem forte sobre racismo e injustiças sociais. Aqui temos uma história fictícia que facilmente deve ser a história real de alguém. Inclusive, a autora se baseou no assassinato de Oscar Grant, de 22 anos em 2009, e claro, que ele não foi o único, movimentos como o #BlackLivesMatter tiveram visibilidade e essa é a mensagem de Angie.   

Ter coragem não quer dizer que você não esteja com medo. Quer dizer que você segue em frente apesar de estar com medo.

– p. 281

A narrativa é feita na primeira pessoa pelo ponto de vista de Starr e vemos ela passando por esse processo entre a morte de Khalil até o julgamento da decisão em relação ao policial. Também vemos ela tendo conflitos com suas amigas da escola – que não conhecem ela por inteiro, pois ela esconde a sua parte Garden Heights – vemos ela lidando com a decisão de contar ou não ao pai que namora um garoto branco – inclusive Chris é o nosso alívio cômico na história, um amorzinho. Vemos Starr lidar com as inseguranças de um relacionamento, onde ele é branco e ela é negra. 


Cada vez que estou inteira e de volta ao normal, acontece alguma coisa que me despedaça, e sou obrigada a começar de novo.

P. 292

  A mãe e o pai de Starr também são personagens secundários da história que são muito engraçados e firmes. A autora teve uma habilidade muito incrível de encaixar todo mundo nas horas e momentos certos. A relação de Starr com os pais foram o que fizeram ela ser quem é, sempre a apoiando e ajudando durante toda a situação em que a menina foi colocada. Starr cresce muito dentro da história e é uma personagem feminina que se empodera diante de algo ruim.   

A escrita é rápida, apesar de um tema profundo, a autora escreveu com leveza e num tom que é gostoso de ler, mesmo que seja doloroso ver as situações aqui representadas. A realidade não está longe do que foi escrito aqui, mas não está mesmo. E é importante que esse assunto seja discutido. Eu amo ver autores dando visibilidade a todos. Nossa voz é importante, precisamos usá-la. E precisamos ouvir também! 

“O importante é continuar fazendo o certo.”

– página 359

6 Comentários

  • Maria Valéria

    é, eu ando bem curiosa pra fazer essa leitura, pois a temática abordada muito me desperta interesse, ainda mais na área de educação… acho que seria legal trabalhar com o livro em sala de aula, com meus alunos…

    triste a gente saber que esse tipo de coisa acontece de maneira banal fora da ficção… =T

    bjs…

  • Mari

    Muito legal ler sobre esse livro. Já tinha visto ele por aí e queria muito saber mais sobre a história. Que bom que a história toca nesse assunto de uma forma tão legal, porque racismo existe e precisa ser discutido e erradicado das nossas sociedades, e uma forma de fazer isso é trazer ele como assunto das obras literárias.
    Beijos
    Mari
    Pequenos Retalhos

  • Maria Luíza Lelis

    Oi, tudo bem?
    Eu estou louca para ler esse livro. Recebi há alguns dias e pretendo começar em breve.
    O que mais me atraiu é que a temática é muito importante e, infelizmente, atual. Como você disse, não está nada distante na nossa realidade. Outra coisa que gostei muito é de saber que o livro apresenta uma protagonista feminina que, apesar de jovem, é muito forte e empoderada. Além disso, achei interessante que a autora soube trazer leveza para a trama, mesmo que a temática seja tão dolorosa.
    Adorei ler sua resenha e estou ainda mais ansiosa para começar esse livro.
    Beijos!

  • Mia Sodré

    Bah, certeza de que essa será uma leitura soco no estômago. Pretendo lê-lo, mas sei que vai ser pesado. Porém, a gente não pode simplesmente ignorar essas questões. Isso é muito sério e que bom que tem gente escrevendo sobre isso. Ajuda bastante a conscientizar as pessoas, especialmente os jovens.

    ;*

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