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Resenha | O Diário de Nisha – Veera Hiranandani

O diário de Nisha vai trazer a história de uma família que precisa sair às pressas de seu lar por conta da Partição da Índia que aconteceu em 1947. Nisha vive com o seu pai que é um médico gentil e muito querido pela comunidade – e ele ganhou esse respeito -, o irmão Amil, dadi e Kazi. O último é o cozinheiro da família, mas a gente entende que ele é muito mais.

O pai de Nisha e Kazi se casou com uma muçulmana e isso era mal visto, já que ele era hindu, mas mesmo assim, conseguiu se estabelecer na comunidade em que vive no início da história com sua família. A mãe de Nisha e Amil acabou falecendo no parto, a história de inicia no aniversário de doze anos de ambos. Nisha além de ganhar uma das jóias da mãe de deu pai também recebe um diário de Kazi, a quem considera muito. E ele diz algo importante para ela.

Falar é assustador porque, quando as palavras são ditas, não podemos pegá-las de volta. Mas se você escreve as palavras e elas não ficam do jeito que você as quer, é possível apagá-las e começar de novo.

Página 21

Nisha tem muita dificuldade de falar, mas ela percebe que escrever é bem mais fácil. Como sua mãe não está mais presente, ela decide escrever o diário em formato de cartas para sua mãe. E é assim que a narrativa inteira do livro é feita, o que faz a leitura ser extremamente fluida.

As coisas começam a ficar ruins porque a independência da Índia em relação a Inglaterra está mais próxima, isso deveria ser algo bom, mas acaba se tornando centro de conflitos. E é nesse momento que Nisha percebe o valor de suas palavras.

Quando você divide as pessoas, elas escolhem lados. Tem muita confusão e medo por aí

Página 55

A história é contada por uma garota de 12 anos, então os relatos não são cheios de filosofia e profundos. São diretos, mas muito sentimentais, é uma criança passando por coisas que ela nunca imaginaria.

Amil só está sendo a pessoa que ele sabe ser. Mas acho que papai está fazendo a mesma coisa. Acho que todos nós estamos. É só que algumas pessoas são melhores que outras nisso.

Página 143

O diário de Nisha trata de separação. Acho que resume bem o livro. Ela precisa lidar com despedidas que não fazem o menor sentido aos seus olhos, deixar sua casa, escola, Kazi… e ela também vê coisas no caminho para a Nova Índia que nunca imaginaria. Coisas que a marcam e acabam trazendo consequências futuras.

Nunca entenderei, enquanto viver, como um país pode mudar tanto da noite para o dia a partir de uma única linha divisória.

Página 268

É uma história simples, sem grandes reviravoltas, mas muito entregue. A inocência de uma criança no meio de um conflito que não fez sentido nem para os adultos. A escrita é bem feita, principalmente pra alguém que como eu, não lida bem com histórias narradas por crianças. É fácil entender o que Nisha sente. Um livro que traz a mensagem de qual é o ponto de brigar com quem está fazendo a mesma caminhada que você? E tentar entender isso dá nó na cabeça de qualquer um, seja qual for sua idade, religião, cultura, país… guerras e conflitos são inúteis.

Ela é a primeira pessoa que já me disse que posso simplesmente ser quem eu sou, e que está tudo bem. Quero ser corajosa, mas, talvez eu já seja.

Página 272

3 Comentários

  • Nina Spim

    Oi, Ana, tudo bem? Não conhecia o livro e o Oriente Médio me atrai bastante, então leria facilmente. Adorei saber que é um livro espistolar, parece muito encantador. Acho que deve contar uma inocência pura e confusa pela idade da protagonista. Fiquei bem interessada, vou procurar, com certeza! Obrigada pela dica!

    Love, Nina.
    http://www.ninaeuma.blogspot.com

  • Marijleite

    Olá, essa edição parece muito caprichada. Ainda não li nenhuma história que tratasse dessa questão da Índia e, pelo seu post, estou pensando em começar por esse livro e conferir os relatos da jovem personagem.

  • PS Amo Leitura

    Acho que é a primeira resenha que leio deste livro e já curti! Fico feliz em saber que apesar de ser uma história simples, ele é capaz de entregar e muito! Fico imaginando como deve ser horrível para uma criança viver em meio a esses conflitos. Já quero ler!

    Beijos,

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