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Resenha | Mosquitolândia – David Arnold

Os mocinhos não são de todo bons, os vilões não são de todo mais e não deveria existir qualquer personagem que seja apenas uma coisa ou outra.

Página 12

Mary Iris Malone ou Mim, tem uma missão. Ela precisa ir pra Cleveland, sua casa. Depois do repentino divórcio de seus pais, ela é levada para o Mississippi, muito longe de sua casa. Lá ela vive com o pai e com a madrasta Kathy, isso tudo em menos de um ano que sua mãe foi embora.

Agora ela descobre que essa mesma mãe está doente.

Algumas piadas não são feitas para serem engraçadas.

Página 27

Mim então, pega o dinheiro de Kathy (ela não gosta da madrasta) e embarca em um ônibus para Cleveland. Ela vai ter alguns companheiros bons e ruins nessa viagem e bastante coisa vai acontecer.

Mosquitolândia é um livro de narrativa confusa, pelo menos foi pra mim, apesar de a leitura ter sido bem rápida e fluida, era difícil acompanhar a linha de pensamento de Mim – que lida com alguns problemas emocionais – às vezes eu não sabia se era confiável acreditar no que ela dizia ou se aquilo fazia sentido na história em si. Isso pode ser bom e ruim, bom porque demonstra a habilidade do autor, ruim porque isso dificultava eu manter o interesse no que ela dizia naquela parte específica.

Você já teve a sensação de ter perdido algo importante, só para descobrir que a coisa nunca existiu para começo de conversa?

Página 265

E também é complicado saber se ela tá falando do passado ou do presente. A narrativa tem algumas separações onde ela escreve uma espécie de carro diário pra alguém que a gente só descobre depois na leitura e tem a narrativa normal que supostamente seria o presente. Mas ela tem muitos flashbacks repentinos o que torna essa separação quase inútil.

Você apareceu na porta da casa dela (…) Você foi até lá. E isso significa mais do que você imagina.

Página 267

O livro traz assuntos como problemas psicológicos, assédio, amizade, lealdade e sanidade. Todos eles fazem parte da jornada de Mim pra entender quem ela é realmente, e o que é bom e ruim em sua vida. Ela acaba precisando redefinir alguns conceitos do que ela acreditava ser a mais pura verdade.

Juro que, quanto mais velha fico, cada vez mais valorizo os maus exemplos em vez de bons (…) Acredito que existem pessoas cujo único propósito na vida é mostrar ao restante de nós o que não fazer.

Página 272

É um livro bom, tem boas frases, traz reflexão, mas não é a melhor coisa que li na vida. Acho que o climax do livro fica desgastado conforme a leitura anda e quando cheguei lá, foi ok, nada além disso.

Acho que a estrutura de narrativa foi cansativa pra mim, e acabou me decepcionando no geral. Temos bons personagens secundários, apesar de não ter exatamente me apegado a nenhum, já que só Mim chega perto de algum desenvolvimento. Acho que o final foi meio jogado pra não precisar trabalhar melhor todos os personagens no geral. O final me deixou com a sensação de “ok, cadê o resto”, mas eu acho que em alguma medida se encaixa com o que Mim passa.

Você deveria escrever. É melhor que sucumbir à loucura do mundo.

Página 28

Acho que poderia ter sido melhor, mas não vou dizer que foi de todo ruim, já que foi um dos dois livros que ajudaram a eu sair um tico da ressaca literária em que me encontrava.

10 Comentários

  • Bianca Ribeiro

    eu sou doida pra ler esse livro!
    Achei meio estranho isso das separações, acho que eu ficaria confusa também e quando a linha de raciocinio do personagem também é meio confusa eu fico bem perdida, acho que, se eu começasse o livro sem saber disso, eu desistiria muito facil.
    Mas os assuntos abordados no livro são bem interessantes e os quotes que você separou são bem profundos, acho que vou apostar nessa leitura, mas vou ir com bastante calma hahahahahaha
    amei a resenha e as fotos!

  • Michelle Russo

    Olá estou com este livro na estante parado há algum tempo já, fiquei surpresa em saber sobre a narrativa da obra porque sempre li tantos elogios nunca mencionaram a confusão, espero que consiga desenvolver bem a leitura quando for realiza-la, beijos!

  • Maria Paula de Barros

    Olá!

    Esse é um dos livros que está na minha wishlist tem muuuuito tempo. Um amigo me recomendou ele, mas ainda não pude ler.

    Acho interessante quando o autor brinca com sua habilidade, criando e deixando alguns pontos que nos confundem. Mas acredito que deva tornar a leitura um pouco cansativa mesmo.

    Beijos,
    Blog Diversamente

  • Clayci Oliveira

    Que pena que a leitura te decepcionou.
    Para ser sincera, a sua resenha foi a primeira que eu li que aponta essas falhas na narrativa.
    Estou com esse livro parado na estante já faz um tempo, acredito que mesmo com as ressalvas, quero dar uma chance.

  • Joanice

    Olá

    Normalmente narrativas em primeira pessoa tendem a confundir qualquer leitor porque carrega marcas pessoais e principalmente problemáticas emocionais que deixam tudo turvado e complicado para o leitor, mas quero muito ler esse livro.

    Beijos

  • Dayhara Ribeiro Martins

    Olá, tudo bem? Eu tive esse livro entre os meus desejados por muito tempo, muito mesmo, principalmente porque vi muita gente do booktube elogiando ele. Mas assim como você, tenho certeza que a estrutura narrativa acabaria me cansando, infelizmente.

  • Debyh

    Confesso que achei a narrativa confusa com você explicando imagina lendo? Não curto muito narrativas que não me prendem e tentam fazer algo ‘inovador’ mas acaba perdendo o leitor, o que é uma pena parecia ser uma boa história.

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