Resenha | Meu Amigo Dahmer

Recebido como cortesia da Editora Darkside Books

“Talvez o horror pudesse ter sido evitado. Certamente, sinais de alerta apareceram ao longo do caminho – sinais de que havia algo de errado com Jeffrey Dahmer. Algo de muito errado. No entanto, milhões de pessoas sofrem de distúrbios emocionais durante a infância e não acabam como Jeffrey Dahmer. Elas não se tornam monstros.” – pag. 391 (Serial Killers – Anatomia do Mal)

Meu Amigo Dahmer é uma HQ do selo Darkside Graphic Novel, lançado obviamente pela Darkside Books.

Meu Amigo Dahmer vai nos trazer a história de Jeffrey Dahmer, que é um conhecido serial killer dos Estados Unidos. Mas o interessante aqui é que não vamos ter um perfil dele, nem uma passada nos seus hediondos crimes. Aqui nós veremos a história pelo ponto de vista de Derf Backderf, que era colega de classe de Dahmer na época do ensino médio.

 
“[…] Jeff ficou sozinho com as vozes na sua cabeça. Que passaram a ficar mais sonoras.” – p. 143

 

Estamos na década de 70, e Derf nos mostra como Dahmer já era um jovem estranho, excluído, pertubado e completamente negligenciado por professores e até mesmo pelos pais. Vemos Dahmer passando pelo divórcio dos pais, pela solidão no Ensino Médio e até mesmo pelo alcoolismo. E tudo isso e mais um pouco – levaria Jeff Dahmer a virar um assassino em série. 
 

“Foi a primeira vez que Jeff pensou em estripar uma criatura grande o
suficiente para sentir medo e dor, em vez dos animais atropelados ou
bichos pequenos. Também seria a última vez que ele demonstraria
piedade.” – p. 106 (página acima)

 

 
As pessoas sabiam que existia algo errado com Dahmer, isso era nítido, mas poucas pessoas viam o potencial dele de desenvolver um perfil de psicopatia. Foi isso que levou Derf a procurar cadernos antigos, rascunhos de desenhos, álbuns e os arquivos do FBI entre outras fontes para contar a derrapada que Dahmer fez até se tornar conhecido pelos seus assassinatos.

“[…] Pouco tempo depois, Jeff Dahmer, futuro assassino em série, estava a metros do vice-presidente dos Estados Unidos. Quando penso nesse fato bizarro, e no que o garoto que tinha cabeça, charme e cara de pau pra fazer isso acontecer, o que vem à minha mente é… que desperdício.” – p. 97

Em determinado ponto, achei que a intenção da HQ era criarmos certa empatia pelo assassino. Mas isso não é isso que acontece aqui, o próprio Backderf deixa isso claro em uma citação nas páginas de conteúdo extra da HQ.  E também não é intenção do autor mostrar os assassinatos que Dahmer cometeu, ele só queria passar para o público com quem ele conviveu no período de escola. Em algumas entrevistas de Dahmer, o próprio cita que essa foi a “melhor fase social” dele.

“[…] Ele era um detento exemplar e foi entrevistado com frequência por psicólogos criminais e peritos do FBI. Diversas vezes expressou alívio porque os segredos e as mentiras que usara para construir sua vida não eram mais necessários. Diferentes de muitos assassinos em série, que são manipuladores (Charles Manson), ou mentirosos patológicos (Henry Lee Lucas), ou as duas coisas, Dahmer era sincero e claro…” – p. 239

Algo me incomodou foi o fato de Derf usar o termo amigo para caracterizar Dahmer, não acredito que tenha existido realmente uma amizade. Apenas convívio. Mesmo que isso não tenha impedido Derf de notar Jeff e perceber que ele era assustador e não apenas um excluído.


“Quer saber? O Dahmer deve é ter virado um assassino em série!” E nós rimos. – p. 199

A história é de bom gosto, não é apenas pra ganhar fama em cima de um serial killer – o que seria absurdo diga-se de passagem, de gente que ganhou em cima de assassinatos basta O.J. Simpson. Derf Backderf queria mostrar tempos em que Jeffrey Dahmer era um pouco normal, até que as coisas começaram a declinar e chegar onde chegaram.
“Eu sempre fui uma pessoa privada, que não gostava de se abrir e dividir nada com ninguém. Eu gostava de manter meus pensamentos pra mim mesmo.”
“Eu fiz minha vida de fantasia mais poderosa do que a minha vida real.” – Jeffrey Dahmer

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Ana Gabriela

14 comentários em “Resenha | Meu Amigo Dahmer

  1. Gosto muito de livros que retratam psicopatas, ainda mais quando quem descreve a pessoa foi um colega. Tô apaixonada pela história de Dahmer, me aguçou uma curiosa bem grande e preciso ler o livro

  2. Ana tudo que envolve serial killers se tornam uma das leituras mais prazerosas e até mesmo obrigatórias para minha estante, esse lançamento da Darkiside com todo certeza seria uma ótima pedida, assim quero muito conhecer Dahmer.
    Beijinhos

  3. Olá, poxa gostei dessa ideia de ter a visão de fora em relação ao serial killer, pois nos dá uma ideia da impressão que as pessoas tinham desse personagem e tal. Eu adoro histórias sobre psicopatas e acho que gostaria muito de ler essa versão em quadrinhos. Bjs

  4. Oi, tudo bem?
    Eu já tinha ouvido falar sobre essa HQ, mas confesso que não me interessei em ler. Além de não gostar muito de ler HQs, eu fujo de qualquer história que envolva serial killers. Então, já dá para ver que não é mesmo meu estilo de leitura.
    Mas adorei conferir sua resenha e as fotos estão lindas.
    Beijos!

  5. Oi Ana!
    Sou leitora assídua de HQ's, mas essa não e impressionou e nem despertou a vontade de ler. Achei a edição linda, os traços do artista são bem legais, mas a história em si não me chama atenção. E mesmo agora, com seus elogios, ainda não consigo me ver lendo-a.
    Fico feliz que tenha gostado da leitura!
    Beijos

  6. Olá,
    Não tenho muito o costume de me aventurar por graphic novels ainda mais com esse tema que não costuma me chamar a atenção. Porém, a forma que ele é abordado aqui me deixou bem intrigada de modo que pretendo realizar a leitura no futuro e entender um pouco mais como foram os dias desse serial killer na época da escola e como tudo o que vivenciou pode ter sido o estopim para se tornar o que é.

    LEITURA DESCONTROLADA

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