Resenha | H. H. Holmes: Maligno – O Psicopata Da Cidade Bran – Harold Schrechter

H. H. Holmes de Harold Schechter (sim, mesmo autor de Anatomia do Mal) traz a história do primeiro assassino em série (pelo menos o mais repercutido) da América do Norte. Aqui conhecemos o perfil típico de um assassino em série: cheio de lábia, galanteador, trapaceiro e mau.

Dentre os predadores humanos que existiram em todos os períodos da história, poucos viraram lendas. Jack, o Estripador, Ted Bundy, esses seres adquirem status de mito. Esse status deriva em parte da natureza hedionda dos Crimes, que se parecem mais com a obra de algum terror sobrenatural (…) Mas suas dimensões míticas também têm origem em outra fonte. Esses indivíduos parecem fascinar porque parecem simbolizar os impulsos mais obscuros de suas épocas.

Página 15

Herman Mudgett, mais conhecido como H. H. Holmes agiu nos Estados Unidos, mais especificamente em Chicago e arredores. O primeiro golpe que deu foi em cima da senhora viúva que era dona da farmácia onde Holmes começou a trabalhar, para experimentar uma nova vida. Ele com seus galantes discursos a fez vender a loja por um valor, prometeu pagar, sempre tinha uma história e ela simplesmente desapareceu quando ameaçou acionar a justiça contra ele. Conveniente?

Mas não era só em senhoras que Holmes jogava seu charme, Myrta foi sua primeira esposa e a única que saiu viva pra contar a história, o que aparentemente demonstra que ela foi a única pessoa com quem Holmes chegou a se importar além dele mesmo. Sempre um ponto humanizador para um serial killer não é?

Mentiras não eram medo instrumento de sua carreira, como são para todos os vigaristas e trapaceiros, eram o reflexo de sua mais profunda natureza psicótica. Não se podia confiar ou levar a sério nada do que dizia. Mesmo quando era apropriado para seu propósito se manter próximo aos fatos, suas palavras eram infestadas de falsidade.

Página 93

Depois tivemos Clara, Julia, Winnie, Georgia… Acho que de todas, Julia é descrita como a mais inteligente, que não era facilmente enganada, mas… Pelo jeito existia uma exceção a regra.

O livro às vezes é repetitivo, porque Holmes era repetitivo, ele sempre tinha um plano pra ser mais bem sucedido, ter mais dinheiro, mas sempre acabava precisando recorrer a um novo golpe. Em um desses, contra seu parceiro e sua família, ele acabou se dando mal. Envolveu gente demais, corpos demais pra esconder, mentiras demais pra manter.

Uma coisa que eu acho interessante é que chamam Holmes de maligno, e eu até entendo que na sua época, ele era uma grande novidade. Um homem que matou dezenas, se não, centenas de pessoas? Com certeza, assustador. Mas os assassinos em série que vieram muitos e muitos e muitos anos depois dele? Muito piores e perversos. Acredito que isso o faria virar no caixão.

Holmes gostava de viver uma vida fácil e quando as pessoas estavam na sua frente ele tinha uma solução “simples”, a morte. O valor daquela vida não importava pra ele. O que importava era ele próprio e seus planos.

Holmes parecia muito consternado – não por causa das mortes, mas por saber que está prestes a ser culpado por elas. Encara o leitor e grita em protesto: “Eu sou inocente!”.

Pagina 315

Construiu um castelo baseado em morte. Com um porão pronto para cremar suas vítimas. E ele não poupou a vida de quase ninguém – com exceção de Myrta – mulheres, crianças – o que causou mais espanto na população de Chicago e o que o fez ser pego – parceiros. E o mais incrível é que se não fosse um ladrão em quem Holmes aplicou um golpe, ele teria matado muito mais gente.

H. H. Holmes era maligno. E abriu precedentes para pessoas mais perversas ainda.

Ana Gabriela

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Voltar ao topo