Resenha | Ex/Mulher – Tess Stimson

Ex/Mulher conta a história de Louise, Caz e Andrew. Louise e Andrew eram casados e felizes, até que, uma semana depois do segundo filho do casal nascer, ele decide ir embora e assumir o relacionamento com Caz.

Tem que haver um pouco de… de vergonha na cara! De consequências! Não se pode destruir a vida de outra pessoa e seguir com a sua como se nada tivesse acontecido!

Mesmo assim, de uma forma completamente incompreensível para mim, Andrew é recebido de braços abertos pela família de Louise. Sendo convidado, junto da sua atual esposa Caz para as bodas de ouro de Célia, mãe de Louise. Uma festa de família, em um resort isolado.

Lá, Andrew é encontrado morto num cenário que aponta duas suspeitas: Caz e Louise.

Eu me volto, inspecionando o rosto dele, atenta a qualquer indício de que ele esteja mentindo. Andy é excelente ator: sabe afetar preocupação ou cinismo sempre que necessário, dependendo da matéria que está narrando. Mesmo depois de quatro anos juntos, ainda não consigo saber ao certo se ele gostou mesmo de um prato que eu fiz ou se está sendo apenas educado.

A primeira cena do livro já é a morte de Andrew, então, não tem spoiler aqui. Isso tá escrito na capa do livro. E esse é o ponto de partida de uma narrativa muito cativante sobre o moral/imoral. Sinceramente, não gostei de Andrew desde o início, um babaca e achei até bom ele ter morrido. O livro faz uma contagem regressiva de sete semanas antes da festa em que Andrew perde a vida e eu só aguentei ele nas cenas em que aparece porque eu sabia que ele ia morrer. Pois é.

Os fatos não mudam. Mas a verdade é que, cada vez que nos lembramos de algo, nós reconstruímos o acontecimento, remontando-o a partir de vestígios espalhados pelo cérebro.

Mas sinceramente, também não gostei muito de Louise, por vários motivos. Que não dá pra falar porque, aí sim, seriam spoilers, mas eu realmente não tinha muita empatia por ela. Caz, por outro lado, me convenceu muito mais. Não diria que ela é uma boa pessoa, acredito que nenhum dos 3 seja, mas ela tem uma justificativa? Acho que sim. Risos.

Bella, filha de Louise e Andrew, é uma personagem que chama atenção na trama, achei ela intrigante, mas ao mesmo tempo, muito comum. Gostei muito de como a autora a colocou na história. Celia, mãe de Louise, não aparece muito, mas é uma personagem que toma bastante espaço sem falar ou fazer muito.

O tipo de homem que trai, mente e engana você para que pense que ele é capaz de amar alguém que não seja ele mesmo.

No geral, achei o livro muito bom. A narrativa é feita na primeira pessoa e intercala os pontos de vista das nossas principais suspeitas, Louise e Caz. Eu adoraria que tivesse um espacinho pra narrativa da Bella, mas não aconteceu, então é wishful thinking. Eu tinha 2 teorias logo de início, uma delas tinha um elemento certo, mas a motivação não. A outra teoria estava completamente errada e lá pelos 60% do livro eu criei outra teoria que também estava meio certa. Mas eu realmente me senti presa pela história sendo contada, é um thriller psicológico muito interessante.

Vamos combinar: se algum homem já mereceu ser assassinado, esse homem era Andrew Page.

Como alertas de conteúdo eu coloco: traição, abuso infantil e tentativa de suicídio. Eu tento colocar agora os “gatilhos” de tudo que eu acho mais importante, não necessariamente o livro foca nessas coisas (inclusive, acho que teria sido bom que o tivesse feito de forma mais incisiva), mas existe um debate crescente no universo literário da importância de se citar todo e qualquer assunto que possa gatilhar alguém, então tá aí.

Ana Gabriela

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