Resenha | BTK – A Máscara da Maldade

B.T.K – Bind (amarrar), Torture (torturar), Kill (matar).


Dennis Rader, ou BTK como ficou conhecido durante 3 décadas, é um assassino em série que foi caçado em Wichita no Kansas por 30 anos até finalmente ser preso em 2005.

BTK é o apelido que o próprio Dennis se deu ao assinar seus diários descrevendo os crimes e perseguições que cometia em detalhes e depois de muitos anos, como se anunciava para a imprensa e polícia. BTK significa Bind (amarrar), Torture (torturar) e Kill (matar) que descreve seu modus operandi. Ele chamava o ato de stalkear as vítimas, como “pescar”.

Assassinato em série era como pescaria, confessaria mais tarde: às vezes, a pessoa dá azar. Ou acaba se enrolando com obrigações, trabalho.

Página 61

Em 15 de Janeiro de 1974 numa manhã que deveria ser normal para a Família Otero acabou mudando a rota de Wichita. BTK já estava observando a rotina da família para saber quando deveria atacar. Esse seria seu primeiro crime, mas ele seria grande. Dennis Rader matou 4 pessoas da família aquele dia: Josie de 11 anos, Joey de 9, Julie que era a mãe e Joe o pai. Rader tinha 28 anos a época e apesar de toda a observação, teve pouco planejamento, agiu por impulso, se enrolou durante os assassinatos, mas mesmo assim não foi capturado.

Essas especulações aborreceram o único homem que conhecia a verdade. E ele queria receber os créditos. (…) Ficou claro, com base naquele bilhete e na carta de 74, que o BTK ansisyava por atenção e queria fama, como os assassinos em série de outros tempos.

Página 51/página 95

Isso acabou o motivando em abril de 74 ele atacou uma outra mulher chamada Kathryn Bright. Em outubro do mesmo ano, depois de dois grandes crimes acompanhados de perto pela mídia, eles especulavam suspeitos e isso deixou o ego de Rader ferido que enviou uma carta para reinvindicar ambos os crimes, deixando claro que o BTK os cometeu.

3 anos depois, em 1977, BTK atacou novamente: Shirley Vian. No fim do mesmo ano, ele matou Nancy Fox. Em 78 e 79 enviou mais cartas para a imprensa reclamando a autoria dos assassinatos de Nancy e Shirley. Depois só voltou a matar em 85, mudando um pouco a localização do crime e trazendo para mais perto de sua própria casa porque se sentia corajoso. 10 anos desde a morte dos Otero e não tinha sido capturado. Rader sequestra e mata sua vizinha Marine Hedge. Em 86, Vicki Wegerle. Em 91 assassinou Dolores Davis.

Depois disso, foi silêncio por parte de BTK, ele não matou e desde 79 não enviava nada para a imprensa e só voltariam a ter notícias dele em 2004 quando ele resolveu enviar um pacote que acabou com o FBI.

Dennis Rader seguia o padrão de alguns assassinos em série que se misturavam as pessoas “normais” que não matavam por aí. Ele era pai de família – motivo pelo qual parou de matar, inclusive -, trabalhava e era considerado um bom cidadão. Era presidente da congregação da igreja luterana de Cristo. Acima de qualquer suspeita. A não ser quando tinha comportamento violento em seu trabalho que dava acesso a muitas casas e principalmente mulheres.

Assassinatos com motivações palpáveis nem sempre eram fáceis de resolver, mas seguiam uma lógica interna. Mas assassinos em série não seguiam nenhuma lógica. O FBI estava apenas começando a estudar assassinos em série com mais atenção, mas seus especialistas diziam que um assassino em série era muito mais difícil de capturar. Na maioria das vezes, era preciso esperar que ele matasse de novo e torcer para que cometesse um erro.

Página 97/98

Esse livro foi arrastado, devo confessar. Acredito que foi por eu ter achado Rader um criminoso superestimado. O que dificultava encontrá-lo era que apesar do M.O de amarrar, estrangular e matar ele não tinha um padrão de vítima e pelo que parece, a polícia focou muito tempo nisso. Tanto que ele tinha que ficar reinvindicando a autoria dos próprios crimes porque ele era tão pouco impressionável que ninguém conseguia fazer a conexão entre crime e criminoso. Rader invadia casas quase que por diversão, cometeu uma série de erros em tentativas de homicídio e mesmo assim ficou três décadas livres. Se não fosse o próprio Rader ter mordido uma isca da polícia em 2004 – trinta anos depois do seu primeiro crime – ele provavelmente nunca teria sido pego.

Pelo intervalo de tempo entre os assassinatos de Rader, o que me parece é que ele não precisava matar, diferentemente de muitos assassinos em série por aí que “sentem desejo incontrolável” por isso. Ele ficava muito tempo sem atos de violência (por exemplo, Ted Bundy era sadomasoquista nas relações sexuais com a namorada), o que me demonstra mais controle. Ele matava porque podia já que mesmo com os erros cometidos, não era pego.

Um dos envelopes de BTK. Repare que o nome do remetente é um “jogo” com B T K. Incluindo o último sobrenome que traduzido livremente ficaria “homem que mata”.

Rader decidiu fazer contato depois de muitos anos porque comentando com alguém sobre o BTK recebeu uma resposta do tipo “Quem é esse?” E ficou indignado. O narcisismo, meu pai!

Existe um diabo no mundo; pessoas ruins fazem coisas ruins por escolha própria. E, quando fazem isso, é necessário caçá-las.

Relph, um dos investigadores era cristão, e tentava lidar com as coisas horríveis que via no trabalho e o que sua religião diz. #sensato

Não me entenda mal ao falar que um serial killer que matou diversas pessoas foi superestimado. Não acho que a demora nesse caso tenha sido culpa da polícia, eles, inclusive em 2004 com a liderança de  Landwehr – que na época do crime dos Otero era um adolescente – fizeram um esquema muito bom para jogar com o ego e narcisismo de Rader que acabou em sua prisão. BTK ficou parado por anos, então nada novo aparecia e ficou esse hiato de 20 e poucos anos aí sem novos rumos na investigação. Não sei se faltava recursos, ou era uma zona confortável… Ou os dois. O assassino parou de matar, ninguém parecia correr riscos, talvez ele tenha sido preso por algum outro motivo ou está morto. Isso só mudou em 2004 quando o BTK ressurgiu e o medo de novos crimes fez com que a polícia se mexesse pra fechar esse caso aberto há tanto tempo.

Achei interessante apenas que o livro não fala só de Dennis Rader porque sinceramente, seria até chato. Tirando seus anos ativos como BTK não teria muito a se falar. Também temos o lado da polícia focando principalmente em Landwehr que perdeu anos de sono por conta do assassino sem rosto. Os autores do livro fazem um trabalho bem detalhado no livro da linha do tempo exaustivamente longa entre o primeiro crime e a sentença de Rader.  Às vezes ele parece muito repetitivo porque é haha.

Não sei o que me fez não aproveitar tanto essa leitura. Como falei acima, provavelmente o criminoso não me chamou tanta atenção quando outros que já li e conheço. Isso é um ponto interessante a se observar: Rader não tem características que faz ser fácil ele ser humanizado, como faziam com Ted Bundy por exemplo, que era considerado muito inteligente, muito bonito, muito isso e aquilo. A caçada a Rader não tem grandes reviravoltas, nem é cheia de fugas. Rader não chama atenção. É apenas um homem muito mal usando demônios como desculpa para cometer atos desumanos e horrendos contra outros seres humanos.

Os carcereiros instruíram Rader a responder um questionário que perguntava sobre seu estado emocional, inclusive se ele sentia vergonha ou remorso.

Sim, escreveu. Porque eu fui pego.

Página 356

Rader é um tapa na cara de quem – como eu – tomou gosto por crimes reais, principalmente os resolvidos que envolvem grandes nomes. Não tem nada demais nele. A única infelicidade é não terem pego alguém que foi tão pouco antes que matasse mais pessoas além dos Otero. Acho que se ele lesse essa resenha e tivesse os meios me mataria por chamar ele de mais um superestimado.

O trabalho editorial da Darkside continua um ícone, as notas do tradutor, a parte gráfica, tudo incrível pra um assassino tão mais ou menos.

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Dennis Rader ainda está vivo e cumpre dez sentenças de prisão perpétua no Kansas.

Ana Gabriela

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