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Para as paixões que não viraram amor


Há uma compreensão errônea do que é amor. Nem toda paixão vira amor, mas todo amor já foi uma paixão.

Essa é uma carta para todas as paixões que não se tornaram amor.

O amor acontece depois de um tempo apaixonado… Quando a vida para de ser cor de rosa ao lado de quem você gosta. As diferenças começam a aparecer, os olhares começam a notar as imperfeições, e você começa a entender que você não precisa de alguém igual a você ou que te complete. De preferência, os dois são pessoas completas que resolveram se transbordar e se aperfeiçoar nas suas diferenças e serem as melhores versões de si. Um para o outro, e para os outros.

Na paixão, nós achamos que precisamos do outro pra sermos completos e que sem essa pessoa não existe o eu. E quando chega a hora da transformação bonita e natural da paixão pro amor, acabamos desistindo. Por não enxergamos o propósito do desenvolvimento daquele sentimento.

Algumas paixões têm que acontecer, alguns amores não.

E muitas vezes, a paixão deveria se tornar amor e a gente não deixa porque queremos a paixão. Oh, pobre de nós, meres mortais que não entendemos nada.

Mas o amor é tão bonito e quer tanto ser vivido que ele acontece, de alguma forma, ele acontece. Alguns vão precisar viver paixões que serão importantes para valorizarmos o que realmente vai nos levar pra frente. Outros vão ficar quietos porque as decepções com as paixões já foram o suficiente. E tem alguns que vão apenas experimentar a expectativa da paixão.

“Eu entendo se precisar esperar por você. E eu irei. Eu vou esperar e quando você estiver pronta pra mim, eu estarei pronto pra você.”

O amor te faz ir mais longe. Mas ele requer mais tempo, mais paciência. Mais sabedoria. O amor te torna mais coerente com suas próprias emoções porque ele vai além de sensações. É a compreensão do outro, a vontade de caminhar com alguém apesar das diferenças e até por causa delas. É descobrir o universo um do outro e querer participar dele. E essa é uma aventura longa.

Para todas as paixões que não se tornaram amor, eu espero que um dia, com alguém, se tornem. Que a gente espere – e encontre – uma pessoa que faça valer a pena a transição da paixão para o amor. Que essa espera paciente seja feita de construções e não de tetos de vidro.

O amor precisa de pessoas prontas pra ele ou nunca vai deixar de ser uma simples, mas momentaneamente, profunda paixão.

Que nós tenhamos o nosso tempo de cura das paixões, das esperas e que tenhamos vivido além apenas da expectativa de se apaixonar. Aí sim, o amor virá e de forma surpreendente.


Prometam, ó mulheres de Jerusalém, que não despertarão o amor antes do tempo.

Cântico dos Cânticos 8:4

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