Exile | (re)Contar – Folklore

Folklore foi a imaginação da Taylor Swift correndo solta nessa quarentena, são histórias que gritaram pra serem contadas. E eu me senti motivada a escrever um conto ou crônica em cima de cada uma das músicas do albúm. O plano é que saiam nas segundas e quintas-feiras, então se você quiser me acompanhar nessa saga, entra aqui no blog nesses dias 🙂



Duas pessoas e nenhum tipo de desfecho satisfatório.

Ele estava do lado de fora do prédio observando pela última vez alguns rostos familiares que passavam na rua, e claro, com o olhar sempre se perdendo de volta na janela que era tão comum quanto o abraço reconfortante que ele oferecia. Ele não queria entrar ali pela última vez, nunca tinha imaginado que realmente chegaria nesse ponto. Mas chegou. E lá estava ele sem saber se despedir.

Ele finalmente entrou sabendo que nunca mais o faria.

Algumas das suas coisas ainda estavam naquele apartamento que tinha escutado e visto tantas histórias, boas e ruins. Ele só conseguia se lembrar das boas… A mente é curiosa, as despedidas ficam mais difíceis ainda porque sua cabeça só lhe dava os dias bonitos, mas ele sabia que os feios existiram, se não, o final não teria chegado. Talvez aquele apartamento fosse melhor de ler sinais do que ele. Eles estavam lá, mas o pior cego é o que não quer enxergar. Não é o que dizem por aí? No corredor do conhecido andar já notou duas caixas bem na frente da porta. Ela empacotou tudo para que eu nem precisasse entrar lá, ele pensou. Quanto tempo foi gasto pra jogar as memórias e partes dele que tinha ficado pra trás de uma história longa em duas caixas? Ele apostava que 5 minutos. Ou um pouco mais porque ele ouvia as gargalhadas altas que ela dava, distrações… Pouco tempo atrás, ele era o motivo desse som bonito que o fazia sonhar. Agora, só doía.

Ele não entraria lá, mesmo que faltasse algo, o que ele achava difícil, já que a missão de eliminá-lo parecia ser uma muito fácil dela cumprir. Ele deixou a chave debaixo do tapete já substituído dos seus tempos. O outro ele escolheu. Não podia mais ficar na porta de entrada pra nova história que foi criada por ela. O tapete, as suas coisas… ele. Não cabiam mais ali.

O coração se apertou. E nessa hora ele levou um choque com as lembranças ruins. Elas estavam lá, afinal de contas. Bem na hora.

Os sinais estavam lá sim. Mas ele não conseguiu mudar as coisas. As decisões já haviam sido feitas sem o consultar. Tantos sinais…

Ele tinha perdido a cidadania na terra que ela criou para os dois. Foi exilado. Sem capacidade de defesa, parecia apenas ofender alguém que ele não sabia quem era. Será que todos os finais costumam ser assim?

Ele pegou as caixas e andou pela última vez naqueles corredores, naquele elevador. Saiu pela última vez daquele prédio, olhou uma última vez aquela janela. Uma lágrima teimosa decidiu cair. Seria a última. Caminhar sobre uma linha tão tênue o tempo todo foi cansativo e só agora ele respirava aliviado. Ele tinha assistido aquele filme algumas vezes durante o tempo juntos, nunca gostou do final.

Mas aquele era apropriado.

Ele foi embora. E não iria voltar.

Ana Gabriela

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